RELEASE - VENHA O QUE VIER

Vale um alerta: ao colocar para rodar o CD do InBox, “Venha o que Vier”, evite o caminho natural de tentar ficar achando o segredo da pegada desses mineiros, que vieram há dois anos para São Paulo e estreiam em CD cheio.

Boa parte da conversa com o quarteto, aliás, para apresentação do disco, caminha por aí. E nem mesmo eles sabem identificar o que vai no caldeirão pop do InBox que resulta nessa mistura saborosa de pop com rock com melodia com guitarras e arranjos de bom gosto raramente vistos no mercado brasileiro.

“Pois é, a gente tenta muitas vezes explicar em entrevistas. Às vezes acho que o mais próximo disso é Foo Fighters. Mas logo que cito eles, penso em outras coisas e fico sem resposta certa. No final, o que acho mesmo é que temos personalidade própria”, comenta o vocalista Thiago Rabello.

Felizmente. O que, somado à prima produção de Rick Bonadio e Giu Daga, torna o InBox uma lufada fresca no cenário repetitivo atual.

E conseguem isso trafegando por diversos caminhos.

Da enérgica música de abertura, que igualmente batiza o CD, “Venha o que Vier”, um rock potente de guitarras trabalhadas, à seguinte, “Ao Seu Lado”, uma balada roqueira à medida para o público cantar junto.

Na sequência, o primeiro single, “Me Despeço”, balada emocionante de violão e piano.
Voltam ao rock puro em “Enquanto Durar”, que tem a mesma pegada de “Eu Não Aguento Mais” e “Te Espero”.

O rock rasgado com trabalho demolidor de guitarras retorna em “A Velha Opinião”, e o disco abre uma picada mais soft com “Passado Presente e Futuro”, outra balada tocante de violão e piano.

O clima de balada ganha mais peso em “Nunca é Tarde” e pegada pop na guitarra de “Amigo Infiel”.

“Te Espero” não completa três minutos no cronômetro, mas é o suficiente para visualizar o público pulando junto a esse power pop durante os shows. Em “Feche a Porta ao Sair” o domínio desse rock aéreo vem da guitarra viajante de Fernando Prado, enquanto “Guardo o Seu Lugar” tem a força de balada com peso na cozinha do baixista Jonas Lima e do baterista Marcos Ramos.

E o gran finale junta a potência dos quatro na arrasa-quarteirão “Você me Faz Tão Bem”, que mais uma vez tangencia a perfeição pop de 3 minutos na veia.

Comento esses caminhos todos com o vocalista Thiago e pergunto a ele o que esses dois anos de São Paulo trouxeram para o grupo. Ele encerra com mais uma lição: “A gente passou a ver o mercado musical com outros olhos. O que acontece em Belo Horizonte é que há mais músicos que artistas, e em São Paulo o pessoal é tão artista quanto músico. Isso é o que mais aproveitamos”, conta.

Esse ponto salta à vista nos palcos. E ficamos com o pacote completo, InBox.

 

Luiz Cesar Pimentel